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O PARA�SO INFERNAL
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Ubiratan Iorio
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(Artigo do M�s - Ano VI - N� 65 � Agosto de 2007)
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� sempre assim. Em todas as competi��es
esportivas internacionais de que Cuba participa, atletas daquele pa�s
escafedem-se da concentra��o, desaparecem por algum tempo e depois pedem asilo
pol�tico ao pa�s que organiza o evento. Nos Jogos Pan-Americanos recentemente
realizados no Rio n�o poderia ser diferente, a ponto do ditador-irm�o, Raul
Castro, ap�s mais algumas dessas fugas, ter ordenado que a delega��o cubana
antecipasse o seu retorno ao pa�s, embora, naturalmente, negue com veem�ncia a
medida. � �bvio que tem que negar, para n�o passar um atestado que todos os
que sabem pensar por conta pr�pria sabem que � verdadeiro.
At� um obstinado carrapato agarrado a um esqu�lido jegue pastando placidamente
em Garanhuns sabe a raz�o das fugas, mas os pretensos intelectuais tupiniquins
e uma parte de nossa m�dia teimam em dar de ombros, mudam de assunto e
continuam apresentando a ilha-pres�dio comandada h� meio s�culo pelo mesmo
ditador como um para�so caribenho, um exemplo de �democracia popular� a ser
imitado, copiado e implantado n�o apenas no Brasil, mas
O que leva nossa intelectualidade ballantines ao engodo de continuar
apresentando o regime decr�pito e comatoso de Cuba como um para�so, quando na
realidade � um inferno, ao qual cabe perfeitamente o d�stico de Dante,
lasciate ogni speranza, voi ch�entrate? Para essa gente � a rigor,
intelectualmente desqualificada � a ilha de Castro � uma verdadeira
Disneyl�ndia, com belas praias, m�sica de ritmo contagiante, um povo que vive
feliz e adora o seu feitor. S�o professores (geralmente de universidades
p�blicas), artistas, jornalistas, articulistas, economistas, cientistas
pol�ticos, ge�grafos, historiadores e antrop�logos, muitos dos quais com fama,
sucesso e dinheiro no banco, que insistem nesse embuste que s� engana a quem
quer ser logrado: Chico Buarque, Oscar Niemeyer, Paulo Betti, Luc�lia Santos,
Gilberto Gil e muitos outros. Todos com ineg�vel talento e sucesso. Todos bem
de vida. Mas preferem continuar morando no Brasil, para eles a quinta-ess�ncia
do maldito capitalismo predador... No caso do centen�rio Oscar Niemeyer, h� um
agravante: o arquiteto que construiu Bras�lia, uma cidade para formigas,
abelhas e cupins, desumana por defini��o e propensa � corrup��o por sua
localiza��o, mora na Cidade Maravilhosa...
Hayek, em �Intellectuals and Socialism� e Mises, em diversos artigos e
livros, esquadrinharam essa doen�a que acomete muitas pessoas bem sucedidas na
vida, bafejadas pela fama e sucesso, e que as leva a adotarem o socialismo
como um escudo, para simularem que, �apesar� de ricos (o que, na maioria dos
casos, � apenas reflexo saud�vel da aptid�o natural que possuem), preocupam-se
com os �exclu�dos�. A explica��o est� muito mais para os meandros da
psicologia do que para as escolhas frias da teoria econ�mica, despida de
qualquer capacidade de mergulhar na alma humana.
Sentem-se, de alguma forma, culpadas pelo pr�prio sucesso, quando deveriam
sentir-se felizes com os resultados de seu trabalho e talento. E julgam que
precisam dar uma �explica��o� para o seu �xito, at� mesmo para que possam
continuar a usufruir as del�cias mundanas da fama. Acham que devem
justificar-se perante a �sociedade civil� e o fazem apoiando o socialismo e,
naturalmente, o cruel regime cubano. Assim agindo, a massa ignorante - que n�o
sabe distinguir entre igualdade de oportunidades e igualdade por decreto -, os
v� com bons olhos.
Os atletas de Cuba podem ser mal educados e provocadores, mas s�o, em geral,
excepcionais. N�o mais do que os nossos, s� que, como em qualquer ditadura que
se preze, l� o Estado trata os esportes como uma quest�o pol�tica, de
afirma��o da pretensa superioridade do regime. Da� o seu sucesso e as suas
medalhas. Mas quem se apropria de suas suadas vit�rias, a n�o ser os que
mandam no pa�s?
De que adianta voc�, amigo leitor, bater um recorde mundial em sua modalidade,
se, ao retornar ao seu pa�s, mesmo tendo comprovado o seu talento e vendo
coroados de �xito o seu esfor�o, vai continuar a ter direito aos mesmos quatro
ovos de galinha mensais que o governo estabelece como cota para todos? � �bvio
que, na primeira oportunidade, ap�s pesar custos e benef�cios da decis�o de
pedir asilo no exterior, muitos decidem que o custo de ficar longe da p�tria,
da fam�lia e dos amigos � inferior ao benef�cio da liberdade e do �xito que
podem obter no estrangeiro.
Estes s�o os motivos das fugas. N�o h� outros. Se algu�m com mem�ria melhor do
que a minha conseguir apontar algum caso de um vietnamita do sul que fugiu
para o Vietn� do Norte, de um ex-alem�o ocidental que se evadiu para a antiga
Alemanha comunista, de um coreano do sul que escapou para o norte ou de um
norte-americano que buscou asilo em Cuba, darei o bra�o a torcer.
Porque o para�so cubano, com todas as letras, � um falso �den, est� mais para um pres�dio leteu, do Letes, um dos cinco rios do Inferno mitol�gico.
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